Blog Be on the Net

11/06/2010, 13:40

 

Foto de Franco Folini (CC)

Olá, caros beontheneteiros!

É com satisfação que anunciamos que o Be on the Net vem desfrutando de ótima estabilidade. Com igual satisfação comunicamos que, em vista dessa paz, temos tido tempo para dedicar à expansão do sistema e do próprio negócio.

Como primeiro resultado, o Be on the Net acaba de lançar suporte à língua espanhola. Agora, podemos fazer sites para quem quer que fale português ou espanhol. Nosso primeiro site em espanhol já está no ar: é o da fotógrafa Adriana Carolina, brasileira que vive em Buenos Aires. (Bem-vinda, Adriana!)

Nosso projeto é expandir o Be on the Net para toda a América Latina. Mas não dá para simplesmente disponibilizar um novo idioma sem conhecer um mínimo das culturas que o falam. Assim, na semana que vai de 14 a 19 de junho, a equipe vai estar em Buenos Aires, para conhecer mais sobre a língua e os costumes dos nossos hermanos.

Por isso, nesta semana de 14 a 19 de junho vamos passar por ligeiras adaptações no nosso atendimento aos clientes. Como vamos estar um pouco fora da área de cobertura, excepcionalmente não poderemos atender por telefone. Também não vamos conseguir estar durante todo o expediente disponíveis por e-mail, por isso respostas aos e-mails poderão não vir imediatamente. Mas vamos responder, com certeza.

A partir do dia 21/06, o atendimento voltará ao habitual, e nossos planos de expansão continuarão de vento em popa.

Abraços da equipe do Be on the Net!

07/05/2010, 13:08

Na tarde de ontem (06/05/2010), a partir das 15:10h (horário de Brasília) os sites do Be on the Net começaram a se comportar de forma lenta e instável. Algum tempo depois, a situação piorou e todos os sites passaram a apresentar uma página de erro. Mais tarde, os sites começaram a alternar períodos em que ficavam fora do ar e depois voltavam por pouco tempo. Essa situação permaneceu até umas 23:50h, aproximadamente, quando os serviços voltaram a funcionar normalmente.

No total, foram quase nove horas de instabilidade no sistema. Até ontem, o máximo que ele tinha ficado fora foi por dez minutos, uma única vez. Em um ano e meio de Be on the Net, essa foi a primeira vez que passamos por um período tão longo de problema nos servidores. Então, explico a seguir toda a história por trás do que aconteceu e o que faremos para que não aconteça mais.

O que foi feito

Infelizmente, nas primeiras duas horas, nada foi feito. A Lei de Murphy diz: o que pode dar errado, não só dará errado, como o fará na pior hora possível. No caso de ontem, isso não poderia ser mais verdadeiro.

Passo a maior parte do meu dia trabalhando no Be on the Net, porém ontem, logo ontem, eu estava fora daqui. Fui a Curitiba para fazer uma palestra e voltar no mesmo dia. Quando o problema começou, eu estava no palco, no meio da palestra.

Se algum problema acontece nos nossos servidores, recebo uma notificação no celular praticamente na mesma hora. Ontem, enquanto eu estava no palco, inúmeras mensagens do sistema de monitoramento começaram a chegar no meu celular, que, por conta da palestra, estava em modo silencioso. Para piorar, assim que terminei a palestra, fui conduzido para outro local, onde comecei uma segunda palestra. E, assim, continuei sem saber o que estava acontecendo.

Às 17:15h eu tomei um táxi para o aeroporto e, finalmente, consegui um pouco de “sossego”. Foi quando olhei o celular e quase tive um ataque do coração. Imediatamente liguei para o Tapajós, com quem divido os afazeres técnicos do Be on the Net. Ele ainda não estava a par e, por azar, estava no trânsito, dirigindo. Então, tomei coragem e abri o notebook no táxi mesmo, torcendo para os meliantes de Curitiba serem menos atentos e numerosos que os cariocas.

Na viagem de táxi até o aeroporto eu me conectei aos servidores e comecei a me situar do que estava acontecendo. Alguns minutos depois, consegui fazer os sites funcionarem novamente. Santo 3G! Chegando ao aeroporto, fiz o check-in, comi algo correndo e me conectei de novo. O sistema continuava instável. Então, antes de embarcar, coloquei tudo funcionando novamente. Chegando em São Paulo, para fazer a conexão do voo, descubro que o sistema continuava “caindo”. Mas, nesse ponto, consegui começar a articular com o Tapajós, que continuou trabalhando no assunto enquanto eu voava para o Rio.

Durante o voo, fiz uma infinidade de anotações indicando pontos que deveria investigar assim que chegasse em casa. Foi um bom exercício, apesar de todo o estresse envolvido. Chegando ao Rio, a situação ainda não tinha melhorado. Mais tarde, em casa, já depois das onze da noite, tanto eu quanto o Tapajós começamos a entender o que estava acontecendo. E aí, finalmente consegui fazer um “curativo” no que estava errado e colocar os serviços em operação novamente.

Por que os sites saíram do ar

Nós projetamos o Be on the Net com inúmeros mecanismos de proteção, para que a interrupção dos serviços só ocorresse em casos muito extremos, onde houvesse inúmeras falhas ocorrendo ao mesmo tempo. Em uma escala bem menor, é semelhante à forma como se projetam aviões. Eles só caem quando um conjunto de fatores adversos, bem raros, estão presentes ao mesmo tempo.

Ontem isso foi justamente o que aconteceu com o Be on the Net. Algumas coisas aconteceram ao mesmo tempo, que nunca tinham acontecido antes, levando o sistema a “cair”. Algumas eram questões externas, mas outras, as mais relevantes, eram de nossa responsabilidade mesmo. Vou evitar entrar demais no lado técnico, para não tornar o texto obscuro para quem não é de tecnologia.

Uns seis meses após o início do Be on the Net, nós identificamos a oportunidade de adicionar ao sistema uma nova funcionalidade que poderia beneficiar bastante vários de nossos clientes. Então, trabalhamos para implementá-la o quanto antes. Na época, nós ainda estávamos muito envolvidos com inúmeras questões que ainda precisavam ser melhoradas, pois o sistema ainda era muito novo.

Tudo o que foi implementado antes do lançamento do Be on the Net contou com um cuidado quase obsessivo da nossa parte. Foram milhares e milhares de testes automatizados, verificando cada pequeno detalhe do sistema. Porém, essa nova funcionalidade não contou com o mesmo grau de atenção, infelizmente. Sim, nós fizemos testes, mas só o básico. Nós subestimamos a questão e erramos feio ao fazer isso.

Apesar disso, essa funcionalidade nunca nos deu nenhum problema, até fevereiro deste ano, quando ela começou a nos incomodar. No início, não foi nada muito sério. Mas, de lá para cá, ela vem nos causando problemas com frequência cada vez maior. É como se fosse uma ferida, que vai ficando mais séria a cada dia. Só ontem nós nos demos conta do tamanho do estrago que ela poderia causar. Falha nossa por não termos lidado com o problema mais cedo e com uma solução definitiva.

O que faremos para que não aconteça de novo?

O que eu consegui fazer ontem à noite foi um curativo bem simples e provisório. Ele não é suficiente para conter o problema em definitivo, portanto, ainda não estamos completamente a salvos de novos problemas. Era apenas o suficiente para que eu pudesse voltar a respirar, os sites voltassem a funcionar e tivéssemos espaço para fazer as correções definitivas.

O passo mais imediato a seguir consiste em reforçar o curativo tanto quanto possível. Isso é o que comecei a fazer hoje. Terminada essa etapa, partirei para o que mais importa.

Vamos reescrever completamente a funcionalidade que vem causando os problemas. Nós vamos eliminar o problema de uma vez por todas e, no processo, adicionar mais uma infinidade de mecanismos de proteção. Isso levará alguns dias e é por essa razão que a primeira etapa consistirá em reforçar o curativo atual.

Outras ações

Apesar de todo o estresse do dia de ontem, algumas coisas boas aconteceram. Fui forçado a pensar em muitas possíveis causas para o problema que estava acontecendo. Agora eu já sei que apenas uma delas foi a responsável. Mas, teoricamente, as demais questões que eu levantei poderiam acontecer algum dia, por mais improvável que seja. Em suma, eu tracei muitos cenários e anotei todos eles.

Assim que resolvermos de vez o problema com a funcionalidade que foi descrita, vamos iniciar um conjunto mais amplo de melhorias em toda a nossa infraestrutura, adicionando mais mecanismos de proteção, para que o sistema fique mais robusto e cada vez melhor. Nós lutaremos para que o acontecimento de ontem fique na história e não se repita mais.

Peço desculpas a todos os clientes do Be on the Net e usuários dos sites do Be on the Net pelo que aconteceu ontem. Estejam certos de que trabalharemos duro para que não aconteça de novo.

Como ainda estamos fazendo a correção definitiva, ainda é possível que passemos por momentos de instabilidade. Então, por favor, fiquem atentos e nos avisem caso percebam algum problema.

Vinícius Teles

22/02/2010, 9:07

 

Caros beontheneteiros, voltamos!

Depois do Carnaval, o ano brasileiro finalmente começa. Voltamos a todo vapor. Hora de responder àqueles e-mails acumulados na semana de recesso. São alguns na fila, por isso não se desespere se a resposta a seu pedido ou a sua dúvida demorar um pouco; ela vai chegar.

Aproveitando, vamos também voltar a apresentar nossos novos clientes! Bem, desde que paramos de apresentá-los, em outubro do ano passado, ganhamos mais um bocado de clientes que hoje já não podem ser chamados de “novos”, por isso vamos somente apresentá-los como nossos caros “clientes Be on the Net”. Então, dia sim, dia não, alguém vai dar as caras por aqui, portanto fique de antena ligada em nosso blog e em nossa página de clientes!

Vamos aos e-mails. Esse povo quer Be on the Net!

Abraços da equipe.

12/02/2010, 7:58

 

Foto de Juliana Coutinho (CC)

Caríssimos beontheneteiros!

Na semana que vai de 15 a 19 de fevereiro, faremos um recesso. Vamos clarear as ideias, faxinar a casa, e matutar sobre coisas que podemos aprimorar por aqui. Ou só vamos à praia mesmo.   :)

Neste período, excepcionalmente, não criaremos novos sites nem atenderemos telefonemas ou e-mails, salvo em caso extremos de emergências catastróficas. E-mails serão respondidos a partir do dia 22/02.

Agradecemos a todos pela compreensão, e desejamos a vocês um ótimo e divertidíssimo Carnaval.

Abraços da equipe do Be on the Net.

29/01/2010, 14:53

 

Foto de ell brown (CC)

Olá, caros beontheneteiros!

Neste mês de fevereiro de 2010, excepcionalmente, nosso horário de atendimento será das 9h às 16h.

Neste período, atenderemos por e-mail, telefone e outros meios na internet. Mais informações em nossa página de perguntas frequentes.

Abraços da equipe do Be on the Net!

09/12/2009, 10:22

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Samuca começava seu email com algumas perguntas: Joana, quando você vai ao supermercado, você sai sem pagar as compras? O supermercado te dá de presente os produtos de que você precisa para seu dia a dia? E na farmácia, você recebe os produtos de graça? Você come de graça no restaurante? Você usa luz, telefone, água, sem pagar? Se você paga por tudo isso, Joana, por que você acha que as pessoas não deveriam pagar por suas fotos? Você não gosta de receber pelo trabalho que faz?

Pensando bem, essas são perguntas bastante coerentes. Afinal, se todos recebem pelo trabalho que realizam, o fotógrafo também deveria receber pelas fotos que faz. Nada mais justo.

Samuca continuava o email afirmando que ela estava “canibalizando” a fotografia de casamento. Ou seja, segundo ele, Joana estava adotando práticas que iriam desvalorizar o trabalho dos fotógrafos, o que prejudicava ele, os demais fotógrafos e ela própria. Considerava que seu movimento na direção do Creative Commons era um erro grave. Na sua visão, Joana queria crescer rápido demais, e para isso estava adotando atalhos e usando práticas predatórias.

Essa era a única explicação aceitável, na visão de Samuca, para se compreender a razão pela qual um fotógrafo adotaria o Creative Commons. Para ele, era como se o fotógrafo estivesse dando seu trabalho de mão beijada para os outros, sem nenhum critério, a troco não se sabe bem de quê.

Samuca continuava sua missiva eletrônica informando que vinha acompanhando o trabalho de Joana através da internet. Considerava as fotos imaturas e de qualidade sofrível. Mas também, o que se poderia esperar de uma novata, não é mesmo?

Seguia adiante afirmando que faltava a Joana alguma originalidade. Pois, identificava que as fotos que ela vinha fazendo “claramente” procuravam imitar seu trabalho. De onde lançou a pergunta: será que custa tanto buscar um caminho próprio? Será, Joana, que sua única alternativa é “me copiar”?

É preciso dizer, a bem da verdade, que essa parte do email de Samuca foi lida mais de uma dezena de vezes, tamanha a incredulidade de Joana diante do que estava escrito. Afinal, como poderia ela estar copiando-o, se nem sequer era possível ver a maior parte de seu trabalho na internet? Como poderia ela estar copiando-o, se tudo era fechado com login e senha?

De fato, uma questão e tanta a ser resolvida. Mas, não a única. O próximo tópico referia-se ao preço que Joana vinha cobrando, que ele considerava “preocupante”. Dizia que Joana estava cobrando valores demasiadamente baixos para ganhar mercado rapidamente. Mas, acreditava que aquilo eventualmente iria voltar-se contra ela própria. Daí que lançou a sarcástica pergunta: Joana, já que você me copia nas fotos, não seria melhor aproveitar e copiar também os valores?

Samuca ponderava que as práticas comerciais que Joana começava a esboçar, cobrando pouco por seu trabalho, e ainda “dando tudo de graça na internet”, prejudicavam a concorrência, mas acabariam por prejudicar a própria Joana futuramente. Ou seja, se ela levasse o mercado todo a praticar preços menores, todos perderiam. Nesse aspecto, Samuca até que teria alguma razão, se a justificativa pelo preço menor adotado por Joana fosse realmente uma vontade de “passar por cima da concorrência”, o que estava longe de ser o caso, como logo saberemos.

Para concluir, Samuca afirmava que, na tentativa de ser “malandra”, Joana estava era sendo muito ingênua. Será que ela e o resto dos fotógrafos não conseguiam perceber que o Creative Commons é um grande “engodo”? Seria assim tão difícil se dar conta da “grande verdade”?

Para Samuca, além de desvalorizar os fotógrafos, o Creative Commons servia aos interesses daqueles que queriam utilizar o trabalho alheio sem pagar por ele. Acreditava que revistas, jornais, designers e muitos outros se beneficiavam do Creative Commons, porque assim podiam usar as fotos de fotógrafos “tapados”, livremente, de graça e sem que o fotógrafo jamais recebesse um centavo por seu trabalho. Ora, será tão difícil perceber que isso é o cúmulo da desvalorização de um profissional? Como é possível que tantos fotógrafos caiam nessa “armadilha”?

Joana ficou atônita e duvidando dos próprios olhos. Não conseguia acreditar que alguém, sobretudo o Samuca, cujo trabalho ela conhecia há anos, tivesse escrito tudo aquilo e de forma tão agressiva. Os pontos levantados sobre o Creative Commons eram importantes, sem dúvida. Mas a forma como escreveu o email não podia ter sido pior.

É como se ele quisesse esmagá-la e retirá-la do caminho a todo custo. O tom do email, que podia ser captado em inúmeras passagens que não foram transcritas aqui, revelavam o ódio que Samuca vinha nutrindo por Joana.

O pior é que, até então, Joana gostava de Samuca e admirava seu trabalho. Portanto, foi com enorme surpresa que recebeu aquela mensagem. Não tanto pelas questões levantadas, que levariam Joana a refletir bastante, mas sobretudo por essa maneira de se dirigir a ela, que por transbordar de raiva, chocava em um primeiro momento, mas fazia pensar se não havia algo mais nessa história. Algo que não tinha muito a ver com a fotografia em si, mas talvez com um ego ferido.

De fato, para nós que somos meros observadores, é desnecessário dizer que o problema de Samuca era outro. O que sentia em relação a Joana era uma dor-de-cotovelo que cresceu a um tal ponto de não poder mais ser cultivada, em isolamento, no campo fértil de sua alma. A ascensão de Joana começou a lhe incomodar tanto, que quando viu a questão do Creative Commons, chegou a agradecer em seu íntimo por Joana ter lhe dado a deixa para uma ofensiva.

O ciúme de Samuca ao ver o sucesso de uma menina, cuja idade não chegava sequer ao tempo que ele tinha de profissão, estava corroendo-o sem que ele próprio percebesse o quanto. Pelo menos nisso ele não deveria se sentir sozinho. Afinal, a ciumeira parece brotar com facilidade em diversas profissões, sobretudo naquelas com teor mais artístico, como a fotografia. Portanto, Samuca estava em boa companhia. Tantos são os portadores de dor-de-cotovelo que sua mensagem, que havia sido devidamente copiada para uma lista de discussão, não chegava a causar surpresa.

Aliás, enviar a mensagem também para uma lista de discussão badalada foi a cereja no topo do bolo. Afinal, se era para achincalhar a pobre Joana, que houvesse testemunhas. E que testemunhas! Pois não teve um único na lista que se levantasse para defendê-la. Ao contrário. Inúmeros fotógrafos “apedrejaram” a menina, cuja reputação, antes mesmo que pudesse ser construída, acabava de ser sepultada.

Samuca divertia-se ao ver as reações na lista de discussão. As mensagens não paravam de chegar e a revolta popular revelava o número assustador de colegas que, como Samuca, sentiam-se ameaçados pelas novidades e pela entrada de novos profissionais na área. Naquele momento, Joana cumpria o não muito honroso papel de “saco-de-pancadas” para aliviar as ansiedades da moçada.

Os efeitos de tudo isso para Joana foram profundos. Mas, antes que venhamos a sabê-lo, é necessário analisar com calma os pontos levantados por Samuca sobre o Creative Commons. Afinal, quem vai querer ser o ingênuo que entrega a presa para o lobo, de mão beijada?

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Esse é mais um capítulo de uma série de posts que compõem uma história maior, intitulada O mundo de Joana. Veja o primeiro capítulo.

O mundo de Joana é uma história criada para divertir e fazer pensar. Os capítulos são sempre publicado aqui no blog do Be on the Net. O formato usado aqui foi inspirado no excelente livro de empreendedorismo O Segredo de Luisa, de Fernando Dolabela. Sobre empreendedorismo é recomendável também a leitura do livro Caindo na Real da 37signals.

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By Vinícius Teles. Disponibilizado como Creative Commons Atribuição 2.5.

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06/11/2009, 11:31

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Não se passaram muitos meses desde as acaloradas discussões que foram iniciadas por Samuca em uma frequentada lista de discussão, onde ele acusava outro fotógrafo de plagiar uma foto de sua autoria. Na discussão, quase todos os fotógrafos se colocaram ao lado de Samuca. Os que não o fizeram, permaneceram em silêncio. Não se manisfestaram em defesa do acusado que, por acaso, era um fotógrafo que já tinha algum tempo de estrada, mas bem menos que Samuca.

Para provar o suposto “plágio”, Samuca enviou para a lista uma foto que havia sido tirada pelo fotógrafo acusado e outra, de sua autoria, tirada mais de um ano antes. A foto supostamente copiada era uma das poucas que Samuca expunha, abertamente, em seu site. As demais só eram acessíveis com a utilização de login e senha, justamente na tentativa de “proteger” seu trabalho do “plágio”.

De fato, uma simples inspeção visual permitiria-nos ver que a foto tirada pelo acusado era extremamente semelhante àquela tirada por Samuca. E, dado que a do último era mais antiga, estavam sobre a mesa todos os ingredientes necessários para cozinhar uma acalorada discussão, que seguiu-se por vários dias. As tentativas de defesa do acusado foram patéticas. Para sua mais profunda infelicidade, não lembrou-se de recorrer ao básico.

A foto em questão havia sido tirada em um casamento. Não era a foto mais usual do mundo, é verdade, mas estava longe de ser inovadora. Para verificar isso, bastava fazer uma busca por fotos de casamento no Google Images ou no próprio Flickr. Ao cabo de poucos minutos, com alguma paciência, seria possível encontrar várias fotos semelhantes àquela que Samuca dizia ter criado.

Aliás, é possível dizer que alguém “criou” uma foto? Ou seja, até onde se pode afirmar que uma pessoa fez uma determinada foto pela primeira vez? Como provar isso? Poderia Samuca provar que jamais houve no mundo alguém que tivesse feito uma foto como aquela que ele alegava ser de sua autoria?

É certo que há casos, raros, em que a foto é tão peculiar, que pode realmente nunca ter havido outra antes que se assemelhe a ela. Um exemplo talvez seja o do fotógrafo Mark Lloyd, que fotografou o skipper Alex Thomson “surfando” na quilha do seu Open 60 Hugo Boss, conforme mostrado nessa história. Mas, na área de casamentos, quantas fotos podem realmente ser consideradas únicas? Jamais feitas no passado?

No caso da discussão de Samuca com o outro fotógrafo, ele deu sorte. Não passou vergonha devido ao despreparo do acusado e da covardia daqueles que sabiam que ele estava errado, mas não se manifestaram. Bastava que um deles tivesse buscado algumas fotos semelhantes na internet e a discussão estava encerrada. Ou pior, poder-se-ia ter criado uma nova discussão, na qual o acusado seria o próprio Samuca. Afinal, como garantir que ele próprio não baseou sua foto na de outro colega, que tivesse visto na internet?

Quando fez a acusação, Samuca não pensou nessa possibilidade, naturalmente. Tampouco estava ele mentindo a respeito da autoria da foto. Ele realmente nunca tinha visto uma foto como a que fez em nenhum outro site. Teve a ideia no momento e fez a foto. Mas, como acontece tantas outras vezes, uma mesma ideia não só pode como frequentemente vem à mente de inúmeras pessoas diferentes, em lugares e momentos diferentes. Foi justamente o que aconteceu no caso de Samuca. Tivesse ele pesquisado um pouco mais, veria que, muito antes dele, outros fotógrafos já haviam feito a mesma foto, nas mais diversas partes do planeta.

Seja como for, o comportamento de Samuca nessa questão reflete a forma como enxerga o mundo. Um local, segundo seu pensamento, regido pela escassez, onde o triunfo de um só pode se dar a partir do fracasso de outro. Nesse episódio, Samuca faz uma tentativa inútil e patética de criar uma espécie de reserva de mercado para aquela sua foto. Como quem diz, essa foto é minha. Ela é fantástica, mas só eu posso fazer, porque eu tive a ideia, portanto só assisti a mim o direito de usá-la.

O que nos leva a analisar a própria questão da criatividade. Segundo Einstein, “o segredo da criatividade é saber como esconder as fontes.” Em outras palavras, vivemos em um mundo onde muito já foi feito. É difícil criar algo completamente novo. Na maior parte do tempo, o que chamamos de criatividade é baseado no trabalho de muitas outras pessoas. A criação não é uma cópia do trabalho de alguém. Mas, frequentemente utiliza ideias que têm por base outros trabalhos. Ideias essas que foram combinadas de uma forma única, possivelmente com novos ingredientes, até que se possa afirmar que algo novo foi criado.

Isso sempre foi verdade, mas hoje, é ainda mais. A tecnologia, sobretudo a internet, ajuda as ideias a fluírem com maior agilidade. O que não significa que seja ela uma ferramenta para “plagiar” o trabalho de outros. Mas, é certamente uma ferramenta que permite conhecer muitos e muitos trabalhos, com uma facilidade e uma rapidez jamais vistas antes na humanidade. Daí que, para alguns, a internet representa um enorme avanço para aprimorar a capacidade criativa das pessoas, enquanto para outros, representa um mar de plagiadores.

Essa última é justamente a visão de Samuca. Razão pela qual ele protege suas fotos em seu site, impedindo com isso que qualquer outro fotógrafo venha a conhecer seu trabalho.

Quando encomendou a criação de seu site, ele foi categórico. Queria que as fotos ficassem protegidas contra cópia, embora ele, com todo seu conhecimento, devesse saber que é impossível proteger uma foto contra cópia na internet. Quem quiser copiar, conseguirá fazê-lo, nem que seja através de uma simples captura de tela. E, por mais que tentem apregoar que existem mecanismos para impedir uma captura de tela, todos são fáceis de burlar e, justamente por isso, são sempre burlados.

Outro ponto essencial para ele é que o site tivesse uma área com login e senha, que pudesse ser acessada apenas por pessoas autorizadas. No caso, o casal que foi fotografado. Sua justificativa, para quem o perguntasse, era a preservação da privacidade do casal. Mas, ele próprio sabia que a razão era bem outra. Não queria que seus concorrentes vissem suas fotos. Senão, “com certeza iriam copiá-las.”

Para os visitantes do site que não tivessem conhecimento de nenhum login e senha, ele mostraria um pequeno portfólio de fotos, que raramente mudava. Essas fotos eram pequenas, de propósito, para que ninguém pudesse copiá-las e usá-las indevidamente. Além disso, em um ponto proeminente do site, apareceria escrito:

Lei dos Direitos Autorais - Todas as fotografias incluídas neste site estão sobre a proteção da LEI DO DIREITO AUTORAL Nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Portanto, é proibida qualquer reprodução ou divulgação das mesmas, sem prévia aprovação do fotógrafo.

Por tudo isso, observa-se que sua maior preocupação, ao fazer o site, foram os outros fotógrafos e não seu cliente final. O que faz total sentido, considerando-se que Samuca vê o mundo pela ótica da escassez. Mas, para a infelicidade dele, o mundo em que está inserido já não é mais o da escassez. Mas, claro que isso não o impediu de enviar um email desaforado para Joana.

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Esse é mais um capítulo de uma série de posts que compõem uma história maior, intitulada O mundo de Joana. Veja o primeiro capítulo.

O mundo de Joana é uma história criada para divertir e fazer pensar. Haverá um capítulo por dia, sempre publicado aqui no blog do Be on the Net. O formato usado aqui foi inspirado no excelente livro de empreendedorismo O Segredo de Luisa, de Fernando Dolabela. Sobre empreendedorismo é recomendável também a leitura do livro Caindo na Real da 37signals.

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03/11/2009, 13:35

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Joana se empolgou com o fato de ter adotado o Creative Commons para suas fotos. Achava que sua iniciativa seria bem recebida, mas logo descobriu que estava bem enganada. Assim que colocou as fotos de seu terceiro casamento em sua conta do Flickr, recebeu um email desaforado. O que para ela foi uma dupla surpresa.

Ela sabia que muitos fotógrafos não gostavam do Creative Commons, mas achava que a razão era a falta de estudo deles sobre o assunto. Sendo assim, imaginava que, se eles se dessem ao trabalho de conhecer mais sobre o tema, também se empolgariam. Por isso, inocentemente, partiu do princípio que outros fotógrafos, que viessem a olhar seu trabalho, seriam levados ao site do Creative Commons, no mínimo por curiosidade, e aprenderiam sobre ele. Não poderia estar mais enganada.

A primeira crítica que recebeu, em um email longo e enfurecido, veio de ninguém menos que Samuca. Daí a razão pela qual ficou duplamente surpresa. Na verdade, nem imaginava que Samuca a conhecesse, muito menos que estivesse acompanhando seu trabalho tão de perto. Afinal, só isso poderia explicar o fato de ele ter enviado o email poucos minutos após Joana publicar as fotos de seu terceiro casamento, as quais, pela primeira vez, tinham a marca d’água do Creative Commons.

Nesse email, Samuca falava do Creative Commons, sim, mas não se limitava a isso. Aproveitava para fazer inúmeras críticas a Joana, que, bem analisadas, refletiam uma profunda preocupação com os avanços dela no mundo da fotografia. Sendo que, do ponto de vista de Samuca, não era nada disso. Ele estava apenas buscando preservar o “bom funcionamento” da profissão. Além disso, Joana era muito nova. Claramente precisava aprender algumas lições.

Como bem sabemos, Samuca já anda por essa área da fotografia há muito tempo. Começou em 1979. Portanto, carrega já uns bons trinta anos de profissão. Mais tempo do que Joana tem de vida.

Não são poucas as pessoas que, chegando à idade de Samuca, perdem a capacidade de atualizar-se. Mas, felizmente, esse não é o caso dele, nem de longe. Ele não apenas é um amante da fotografia, como também da tecnologia. É o tipo de pessoa que está sempre ligada nos últimos lançamentos, seja de equipamentos fotográficos, seja de computadores, softwares e outros brinquedinhos.

Além disso, tem a irritante mania de estudar cada lançamento até o último detalhe. É daqueles que podem discutir durante dias e dias sobre as diferenças entre Canon e Nikon, entre Macs e PCs e assim por diante. Com tanto conhecimento, não é para menos que tenha sido um dos primeiros usuários de Mac de sua cidade, quando ainda havia poucos equipamentos desse tipo no Brasil, lá pelos idos da década de 80. Antes até que Joana fosse nascida.

No que diz respeito ao Creative Commons, se Joana acha que ela descobriu alguma novidade, está muito enganada. Antes que ela pensasse em estudar o assunto, Samuca já o conhecia há anos. Ele acompanha o Creative Commons de perto, quase que desde o seu lançamento. Na época, nem sequer havia textos sobre isso em português. Mas, isso para ele nunca foi um problema. Samuca tem ótima fluência em inglês, ao contrário de muitas pessoas de sua geração.

Finalmente, ao contrário de Joana, que por essa época tinha apenas uma simples conta no Flickr, onde colocava suas fotos, Samuca tem um site bem consolidado há anos. O que mostra que, ao contrário do que possa pensar um leitor desavisado, Samuca não é um fotógrafo ultrapassado. Pelo contrário, conhece muito mais e está bem mais antenado do que a grande maioria de seus colegas de profissão.

O problema que lhe aflige é outro. Ele consegue acompanhar sem dificuldades o avanço da tecnologia. O que não consegue é aceitar o avanço do pensamento e as mudanças sociais que vêm com o avanço tecnológico. Em outras palavras, sua proficiência tecnológica não é acompanhada de uma igual versatilidade no campo da mentalidade. Essa, continua quase inalterada. É praticamente a mesma que possuía quando iniciou sua carreira de fotógrafo. E isso explica, em grande parte, seus atos para com Joana e outros fotógrafos no passado. A começar por aquele último episódio que tanto alvoroço gerou em uma frequentada lista de fotografia.

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Esse é mais um capítulo de uma série de posts que compõem uma história maior, intitulada O mundo de Joana. Veja o primeiro capítulo.

O mundo de Joana é uma história criada para divertir e fazer pensar. Haverá um capítulo por dia, sempre publicado aqui no blog do Be on the Net. O formato usado aqui foi inspirado no excelente livro de empreendedorismo O Segredo de Luisa, de Fernando Dolabela. Sobre empreendedorismo é recomendável também a leitura do livro Caindo na Real da 37signals.

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By Vinícius Teles. Disponibilizado como Creative Commons Atribuição 2.5.

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29/10/2009, 13:35

Hoje a nossa página de clientes do Be on the Net apresenta a empresa Tropical Toalhas.

A Tropical Toalhas é especializada na venda de tecidos, toalhas, capas de cadeira e guardanapos para casas de festas, cerimonialistas e empresas de aluguel de material para festas, hotéis e restaurantes, entre outros clientes.

Visite o site da empresa de toalhas Tropical Toalhas e confira seu catálogo de produtos.

À equipe da Tropical Toalhas, nossas mais calorosas boas-vindas!

Um abraço de toda a equipe Be on the Net.

Ei! Só para relembrar, sabia que nós estamos com uma promoção? Você pode conseguir vários meses de graça no Be on the Net! Dê uma olhada!

28/10/2009, 14:29

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Depois de ler as informações no site do Creative Commons, assistir ao vídeo, e analisar os tipos de licença disponíveis, Joana logo percebeu que disponibilizar o trabalho como Creative Commons seria o mais apropriado para seu caso. Não só isso, ela viu que estava diante de uma oportunidade de ouro e que precisava correr para usá-la, enquanto tanta gente ainda não tinha acordado para o assunto.

É preciso compreender como Joana chegou a essa conclusão. Para tanto, comecemos entendendo seu propósito. Resumindo, o que ela desejava é que situações como a que aconteceu com a estilista, que “roubou” suas fotos e colocou em um blog badalado, se repetissem muitas outras vezes. Joana percebeu que quanto mais suas fotos ficassem expostas, levando sempre sua marca d’água, melhor para os negócios. Portanto, não importa se a foto é vista no Flickr de Joana, ou no seu Orkut, ou site, ou qualquer outro meio pertencente à própria Joana. O que interessa é simplesmente que as fotos sejam vistas pelo maior número possível de pessoas.

O problema é que Joana não queria mais que a publicação de suas fotos, sem pedido de permissão, fosse considerado um roubo. Se por um lado a estilista não se preocupou com essa questão, por outro, pessoas mais conscientes das leis de direito autoral poderiam se sentir tolhidas e não publicar as fotos de Joana, por saberem que aquilo configuraria um crime do ponto de vista do direito autoral.

Seria o caso, por exemplo, de revistas, ou sites de publicações famosas. As pessoas que trabalham em revistas costumam conhecer pelo menos o básico das leis de direito autoral. Então, Joana não gostaria de lhes “fechar as portas”. Ao contrário, queria que todos se sentissem muito à vontade para mostrar suas fotos, tanto quanto desejassem.

Infelizmente a legislação sobre direito autoral é bem restritiva. Se uma foto não contiver nenhum tipo de informação sobre licenciamento, ela é considera copyright de quem a tirou. Ou seja, só o próprio autor da foto pode exibi-la, distribuí-la, ou usá-la da forma que bem entender. Isso fica ainda mais explícito quando o fotógrafo usa o símbolo © em sua foto.

Quando uma foto é publicada assim, dizemos que todos os direitos são reservados para seu autor. Portanto, pegar a foto no site do fotógrafo e colocá-la em outro, como fez a estilista, não só é proibido, como é considerado uma ofensa grave perante a lei. Isso é bom, porque protege o autor de uma obra contra usos indevidos da mesma. Porém, como Joana mesmo já percebeu, há situações em que a lei mais atrapalha do que ajuda. Há momentos em que o excesso de proteção vira-se contra o autor, contribuindo para que seu trabalho seja bem menos conhecido do que poderia ser, se pudesse circular livremente.

Foi pensando nisso que o Creative Commons foi fundado, em 2001, por um grupo de peritos em leis de propriedade intelectual. Eles queriam criar uma forma para que autores pudessem licenciar suas obras mantendo alguns direitos, ao invés de todos. Daí surgiu o famoso “alguns direitos reservados”, ao invés de “todos os direitos reservados”.

Pelo que Joana entendeu, a coisa funcionava mais ou menos assim. Há vários tipos de licença Creative Commons. A mais básica de todas é a Creative Commons Atribuição. Ela permite que outras pessoas distribuam, remixem, adaptem ou criem obras derivadas, mesmo que para uso com fins comerciais, contanto que o autor receba o crédito pela criação original. Essa é a licença menos restritiva de todas as oferecidas, em termos de quais usos outras pessoas podem fazer de sua obra.

No caso da estilista, se Joana tivesse publicado suas fotos como Creative Commons Atribuição, não haveria nenhum problema de a estilista pegar as fotos e colocar em seu blog. Para isso, bastaria que, no blog, a estilista dissesse que a autora das fotos foi Joana. Entretanto, se nas próprias fotos já houvesse uma marca d’água informando que a foto é de autoria de Joana e licenciada como Creative Commons Atribuição, o problema já estaria resolvido. A estilista não precisaria nem citar o nome de Joana no blog, pois o mesmo já estaria embutido na própria foto. A marca d’água poderia ser, por exemplo, uma das três abaixo:

Possíveis marca d'água de Joana

Se Joana quisesse limitar o uso de suas fotos, de modo a não permitir o uso comercial delas, ela poderia usar a licença Creative Commons Atribuição - Uso Não Comercial. Ela permite que outros remixem, adaptem e criem obras derivadas. Mas, não é permitido o uso com fins comerciais. De fato, é bem fácil compreender essa e as demais licenças Creative Commons.

Depois que leu tudo, Joana ficou feliz em saber que o Creative Commons resolveria seu problema. Mas, não demorou para perceber que a oportunidade que tinha em mãos ia muito além. Pois, há uma “janela de oportunidade” que ela logo identificou. E tem a ver com a postura tradicional de muitos fotógrafos, que temem prejuízos com usos indevidos de suas fotos e, portanto, muitas vezes nem se dão ao trabalho de tentar aprender sobre o Creative Commons.

Como muitos ainda pensam desse jeito, se Joana começasse sua carreira já adotando esse modelo inovador de licenciamento de fotos, ela já estaria dando um passo a frente, em relação à maioria de seus colegas de profissão. Enquanto muitos teriam pouca exposição de suas fotos, Joana poderia colher uma maior divulgação de seu trabalho justamente por dar permissão para isso.

Em outras palavras, enquanto muitos continuarão mantendo uma postura excessivamente protetora, que também protege clientes potenciais de conhecerem o trabalho, Joana faria todo o possível para que seu trabalho circulasse livremente na rede. É claro que, com o tempo, cada vez mais fotógrafos vão compreender a importância do Creative Commons e seguirão os passos de Joana. Mas, o fato inegável é que, neste momento, ela já estaria em vantagem e, como a mentalidade das pessoas evolui lentamente, ela poderia usufruir dessa vantagem por um bom tempo.

Joana acabou optando pelo uso da licença menos restritiva, a Creative Commons Atribuição. Mas, antes disso, estudou muito o assunto. Não só leu todo o site do Creative Commons, como também buscou e leu o site de colegas fotógrafos que manifestavam preocupação com o uso indevido das fotos. Colocou tudo na balança e concluiu o seguinte.

A fotografia digital e a internet facilitaram muito a circulação das fotos. Sendo assim, é fato inegável que, uma vez expostas na internet, as fotos não só podem, como provavelmente serão usadas, de tempos em tempos, sem a devida autorização do autor e, possivelmente, para fins que o autor não desejaria. Naturalmente, isso é prejudicial para o fotógrafo.

Por outro lado, não divulgar as fotos na internet, ou impedir que as fotos circulem livremente tende a ser ainda mais prejudicial. Pois inúmeros clientes potenciais deixam de ter conhecimento do trabalho do fotógrafo. Sendo assim, não há um caminho perfeito nessa história. Seja qual for a escolha, haverá possíveis prejuízos e recompensas.

O que Joana concluiu é que, em seu caso, considerando-se o tipo de fotografia que faria e a forma como venderia seu trabalho, os eventuais prejuízos que ela poderia ter em função de usos irregulares de suas fotos seriam infinitamente menores que as possíveis recompensas que colheria, em seus negócios, se a liberdade de circulação de suas fotos pudesse fazer seu trabalho se tornar cada vez mais conhecido. E foi assim que ela decidiu adotar a licença Creative Commons Atribuição.

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Esse é mais um capítulo de uma série de posts que compõem uma história maior, intitulada O mundo de Joana. Veja o primeiro capítulo.

O mundo de Joana é uma história criada para divertir e fazer pensar. Haverá um capítulo por dia, sempre publicado aqui no blog do Be on the Net. O formato usado aqui foi inspirado no excelente livro de empreendedorismo O Segredo de Luisa, de Fernando Dolabela. Sobre empreendedorismo é recomendável também a leitura do livro Caindo na Real da 37signals.

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By Vinícius Teles. Disponibilizado como Creative Commons Atribuição 2.5.

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