Blog Be on the Net

21/09/2009, 10:15

“Heein?”

Pode haver pessoas que nem sequer entendam o que está sendo perguntado aqui. “Navegador? Que raios é isso? Eu só clico naquela grande e simpática letra ‘E’ azul, e pronto, estou na internet, e isso é o que há para saber”.

Ocorre que o grande e simpático “E” azul não é exatamente o portão de entrada para a internet. Nem tampouco é a própria internet. Ele é o que chamamos navegador.

Imagine que a internet é um imenso oceano, e que cada site é um porto, ou ancoradouro. Este ‘E’ azul — que costumamos chamar Internet Explorer — é o barco que vai levar você de um porto a outro.

Agora imagine que o Internet Explorer não é o único tipo de barco que navega nesses mares. Há muitos e muitos outros barcos, uns mais famosos, uns menos, cada um com seu brasão, tal como o “E” azul do Internet Explorer. E você pode escolher à vontade — e de graça! — qual barco quer usar para visitar os portos.

Dê uma olhada nos navegadores mais famosos e modernos que existem hoje:

Vamos falar um pouco mais sobre estes barcos. Para começar, é bem possível que você tenha à disposição na internet, de graça, um barcão com tecnologia de 2009… mas em vez disso usa um com tecnologia de 2001. Hm, barcos são meio grandes. Vamos usar vídeo: digamos que você esteja aí, feliz assistindo a seu videocassete com sua fita VHS, quando lá fora estão distribuindo jogos completos de home theater, com TVs Full HD, discos Blu-Ray e tudo mais… de graça!

Pois é o que acontece no mundo dos navegadores. A maioria deles tem sua tecnologia atualizada constantemente, pode ser baixada gratuitamente, e a versão mais recente pode ter saído na semana passada. A maioria, e não todos: por exemplo, o Internet Explorer 6, esse do simpático “E” azul, data de 2001, o que em termos de internet é como um século de evolução.

Por que eu não sabia que isso tudo existia?

A maioria das pessoas usa Windows. O Internet Explorer é um navegador que já vem instalado no Windows. Por isso muitas pessoas sequer desconfiam da existência de outros navegadores: não há necessidade. É só clicar no “E” azul, que aquilo “é a internet”. Mais simples impossível. E assim as pessoas vão levando.

Mas a (aparente) simplicidade tem um preço. Acontece que o Internet Explorer não é exatamente o barco mais apropriado, eficiente, ou seguro para se navegar nestes mares, justamente por ser o mais popular e o menos atualizado. E se os próprios usuários já experimentam vários momentos de mau funcionamento e dor de cabeça com este barco, os designers e desenvolvedores que fazem os sites, então, têm algumas histórias de terror sérias para contar.

A pedra no sapato

Se você conhece alguém que faz sites (pode ser a gente do Be on the Net!), experimente perguntar a esta pessoa “qual é a maior pedra no seu sapato na hora de fazer um site?” (pode perguntar para a gente do Be on the Net!). Esta pessoa quase certamente vai responder “é fazer o site funcionar direito no Internet Explorer” (sim, vamos responder isso mesmo).

Voltemos aos barcos. Enquanto os fabricantes dos outros navegadores estavam preocupados em fazer barcos seguros e velozes, sempre corrigindo e aperfeiçoando cada detalhe a cada nova versão lançada, o fabricante do barco do “E” azul nunca soube consertar direito os (muitos) furos em seu casco. Era um barco condenado a dar aborrecimento a seus usuários… a não ser que os desenvolvedores dos sites (os construtores dos portos) dessem uma forcinha! Ora, se o fabricante não conserta os furos do barco… vamos substituir a água do mar por esponjas azuis para o barco não afundar! Contanto que o barco não afunde e o usuário consiga acessar o porto, tudo continua azul! Então fica assim: se você chega num porto com um navegador decente, o mar é feito de água; se chega usando o barco do “E” azul, o mar é de esponjas azuis para você não afundar no preju. Para você, a aparência é a mesma.

Trazendo para nossa realidade, nós construímos o código para o site, e como o Internet Explorer geralmente não interpreta o site da mesma maneira que os outros navegadores, passamos mais um tempo fazendo ajustes específicos para quando o navegador for ele. Às vezes dedica-se tanto ou mais tempo para os ajustes. Eu mesmo tive uma experiência assim: em uma hora fiz alguns aperfeiçoamentos num trecho do código de design do Be on the Net, e depois passei mais uma hora fazendo com que o design funcionasse também no IE.

Isso não deveria ser assim. Não deveríamos ter que trocar toda água do mar porque o casco está cheio de furos. Fazemos isso para que o usuário desfrute de uma experiência de navegação minimamente parecida com a dos usuários dos outros navegadores.

Mas sabemos que, no fundo, quem navega num mar de esponjas não desfruta da verdadeira beleza, fluidez e agilidade das águas. Em outras palavras, é possível fazer verdadeiras maravilhas com o código de design hoje em dia, mas só quem pode usufruir destas maravilhas são os usuários dos navegadores decentes (que respeitam os padrões da internet). Por isso, para os usuários do IE não ficarem muito para trás, os desenvolvedores costumam nivelar por baixo. Não usam e abusam das maravilhas.

Os padrões da internet e por que o Internet Explorer não lhes obedece

Há padrões na internet. Regras de código para que a estrutura de um site, seu layout e seu comportamento funcionem corretamente, com beleza, segurança, agilidade e fluidez, como um porto seguro num mar tranquilo. Estes padrões são como uma gramática, e segui-los é como redigir um texto em português impecável.

Há uma organização dedicada a definir estes padrões, a World Wide Web Consortium, ou W3C. Ela é quem dita como é a água no mar e diz aos fabricantes dos navegadores e aos construtores dos portos como fazer seus respectivos produtos para que haja compatibilidade e concórdia, e para que todo navegador possa acessar qualquer porto numa boa. Antes da W3C, diferentes fabricantes de navegadores produziam códigos incompatíveis entre si e com a internet; para cada um deles, o mar era feito de qualquer substância, menos água.

O Internet Explorer nasceu e se desenvolveu nesse ambiente sem padrões delimitados. Nesta época (entre 1994 e 2000), os fabricantes de navegadores competiam ferozmente por mercado, acrescentando a eles funcionalidades e padrões de codificação próprios, que mais complicaram do que facilitaram a vida dos desenvolvedores de site. Se você acessava a internet em 1995, era bem provável que visse nos sites uma página inicial com dois links dizendo: “Acesse aqui a versão para Netscape Navigator” e “Acesse aqui a versão para Internet Explorer”. Em outras palavras, um desenvolvedor tinha de escrever duas vezes o próprio site, uma para cada navegador.

Depois que a Microsoft, fabricante do Windows e do Internet Explorer, resolveu distribuir seu navegador gratuitamente, já instalado com o Windows, o Internet Explorer venceu a disputa, ofuscou todos os outros e dominou o mercado. E em menos de dez anos, as pessoas, já acostumadas a ver o “E” azul tão logo instalam o Windows no computador, esqueceram-se de que hoje há outros navegadores. Toda uma nova geração.

A vitória do IE veio com consequências ironicamente amargas: no calor da corrida, o fabricante se preocupou mais em acrescentar funcionalidades do que em corrigir defeitos, e mais em desenvolver códigos e funções proprietários do que em seguir os padrões da então nascente W3C. A intenção era encantar o usuário e ganhar popularidade, mas o preço foi um navegador indisciplinado, com um comportamento bem caótico… e inúmeras brechas de segurança. O Internet Explorer 6, lançado em 2001, herdou esse legado de barco cheio de buracos, e suas versões posteriores, o Internet Explorer 7 e atual Internet Explorer 8, ainda lutam (mal) para se livrar dele.

O teste que reconhece se o navegador segue os padrões

Existem testes que checam se um navegador está em conformidade com os padrões de sua época. Entre eles, existe a série Acid tests, cujo teste mais moderno é o Acid3.

O teste é uma animação que vai criar alguns retângulos coloridos em sua tela. O objetivo dele é saber quantos pontos seu navegador consegue fazer. Se seu navegador chegar a 100/100, ele está em perfeita conformidade com os atuais padrões da internet.

Foi? Voltou? Então continuemos. O ideal é que a imagem no final da animação seja como a seguinte:

Este é o desenho de referência. Sua animação, depois que terminar, tem de ficar assim.

Agora vejamos o que cada navegador enxerga. Vou usar os navegadores que citei lá no início deste artigo:

Safari 4

O navegador da Apple foi o primeiro deles a conseguir gabaritar esta prova:

O Safari 4 passa com louvor.

Opera 10

Opera, o navegador da empresa Opera Software, também passa com louvor:

O Opera 10 também conseguiu 100%.

Chrome 3:

Chrome, o recentíssimo navegador criado pela Google em 2008, passa com 100%, com um leve deslize num teste de link. Nada mau para um novato neste mercado:

O Chrome 3 passa com 100%, com um leve deslize num teste de link.

Firefox 3.6:

O navegador da empresa Mozilla é popular, e chega bem perto do objetivo do teste:

O Firefox chega bem perto dos 100%.

Internet Explorer 8:

A versão mais recente do navegador nativo da Microsoft, lançada no início de 2009, ainda deixa bastante a desejar em termos de conformidade com os padrões normativos. Ele ainda está no “a gente vamos chegar lá”:

O Internet Explorer 8 é a versão mais recente, mas com 20% ainda tem um longo caminho a percorrer.

Internet Explorer 7:

O navegador mais popular e utilizado hoje em dia foi lançado em 2006, quando o teste Acid3 ainda nem existia. Ele faz uma sopa com de letrinhas com o teste:

O Internet Explorer 7 faz uma lambança com 14%, e nem consegue mostrar o layout.

Internet Explorer 6:

Quando o veterano IE6 foi lançado, em 2001, as torres gêmeas ainda nem haviam caído. Parece que foi ontem, mas não. É quase uma década. Na maioria dos lares, este navegador foi substituído pela versão 7 ou 8. É nos ambientes empresariais mais resistentes a mudanças que esta praga ainda vai rastejar por um longo tempo, fazendo o seguinte com o teste:

O Internet Explorer 6 não passa de 12%. Preocupante.

Podemos perguntar “que culpa o IE6 e 7 têm de não passarem num teste que nem existia em sua época?”. Podemos até, fazendo uma forcinha, absolvê-los por isso. Mas é só mais um motivo para trocá-los por um novo. Eles simplesmente não se conformam com os padrões de hoje. É como botar um DVD para tocar num gramofone: eles só “arranham”. Hm? Hm? Sacou? OK, infame. Mas as repercussões de usar um navegador assim podem ser preocupantes, principalmente no que diz respeito a…

Segurança

Junto com o potencial criativo da internet, evolui o potencial destrutivo. Infelizmente, há pessoas dedicadas a explorar as falhas de um navegador e através delas conseguir vantagens como senhas de banco de usuários incautos.

O Internet Explorer (em todas as suas versões juntas) é de longe o navegador mais popular e utilizado, o que rende bons frutos para quem vive de explorar suas falhas. Claro que quem se dedica a isso vai querer o maior volume de retorno sobre o esforço feito. Em outras palavras, vai se concentrar mais em ataques aos navegadores mais populares e falhos, porque isso pode gerar muito mais lucro do que atacar navegadores que só 3% da população usam.

Aí entra o Internet Explorer, com aquelas duas características históricas concomitantes que o transformam em alvo fácil: venceu a guerra entre os navegadores e se tornou o mais popular de todos eles, e venceu a corrida justamente dando mais importância a funcionalidades do que à correção dos defeitos. Popularidade e muitos buracos, um prato cheio.

Não tenho a intenção de fazer terrorismo. Todos os navegadores têm suas brechas, e pessoas maliciosas e dedicadas acabam descobrindo alguma hora um ponto fraco. Algumas brechas nem são inerentes ao próprio navegador, mas aos hábitos do usuário, que pode por exemplo não ter aprendido a distinguir e-mails legítimos de ratoeiras bem-disfarçadas. Diversas variáveis estão em jogo, mas no que diz respeito a navegadores, a pergunta é “para que facilitar?”.

Um empurrãozinho de gente grande

Felizmente já há sinais de movimento em direção à atualização. Grandes sites como Orkut e YouTube, por exemplo, já enxergaram que só é possível oferecer o máximo em recursos da internet se as pessoas escolherem um navegador mais moderno. E não querem deixar nenhum usuário para trás defasado.

O Orkut exibe a seguinte mensagem para quem o acessa usando Internet Explorer 6:

Importante: deixaremos de fornecer suporte à versão do seu navegador (Internet Explorer 6) em breve. Esse processo será gradual. Faça upgrade para um dos navegadores mais modernos.

Já o YouTube é mais enxuto:

Em breve, iremos descontinuar o suporte para o seu navegador. Atualize para um dos navegadores mais modernos.

A empresa de produtos para a web 37signals já não faz mais produtos para IE6. Acesso decente aos produtos deles, só por um navegador mais moderno. E iniciativas como o I Dropped IE6 dão uma noção de quantos sites já aderiram a esta corrente.

Confesso, é um sonho nosso aplicar isso ao Be on the Net.   :)   Heh.

Para terminar

Desde que lançamos o Be on the Net, em dezembro de 2008, diversas vezes recebemos feedback de clientes que alegavam que algum detalhe do layout estava fora do lugar: títulos subindo nas fotos, fotos por cima da descrição do álbum, cores estranhas nos links, página de seleção de imagens totalmente destrambelhada. São detalhes que aparecem no início de qualquer produto; sempre cuidamos deles assim que possível, e tenho certeza de que ainda vão aparecer mais alguns para retocar no futuro. O interessante aqui é notar que, quando a gente pergunta ao cliente que navegador ele está usando, 95% das vezes a resposta é “Internet Explorer”. 2% das vezes, é algum navegador que segue os padrões. E o resto diz o que iniciou este artigo: “Heein?” (ou seja, é Internet Explorer, mas eles nem fazem ideia). Então, esponja nessa água!

É um fato: fazer um site para navegadores que seguem os padrões é incrivelmente mais rápido, divertido, gratificante e menos propenso a erros. E para o usuário, depois de passada a etapa de pegar familiaridade com o novo barco, a navegação é uma fluidez só. O fabricante do barco cheio de buracos não vai se preocupar em consertá-los tão cedo. E enquanto isso, nós que desenvolvemos portos vamos tentando mudar a água do mar por esponjas. Mas o usuário do barco também pode fazer sua parte: pode trocar o seu por um novinho em folha, e espalhar por aí que estão distribuindo bons barcos de graça.

Então convido e encorajo você a espalhar estas palavras como puder: por e-mail, por links no seu site, ou repassando no Twitter, ou copiando e colando no seu próprio blog, ou declamando em praça pública, ou como for.

A internet vai dar um salto em beleza e potencial quando as pessoas adotarem um novo navegador. E você vai ter a resposta na ponta da língua da próxima vez que perguntarem: “qual é o navegador que você usa?”

Abraços do Leandro.

Ei! Só para relembrar, sabia que nós estamos com uma promoção? Você adquire um site lindão e ainda pode conseguir vários meses de graça no Be on the Net! Dê uma olhada!

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