Capítulo anterior Próximo capítulo 
Foto de Usodesita (CC)
— Joana, você acha que consegue fazer um hambúrguer melhor que o do McDonald’s?
— Como é que é?
— Então, você consegue ou não consegue fazer um hambúrguer melhor que o do McDonald’s?
— Nossa, Jubi, que pergunta mais tosca! Que viagem!
— Responde, Joana!
— Claro que consigo, qualquer um consegue fazer um hambúrguer melhor que aquele mirrado do McDonald’s. Aliás, o que não falta é lanchonete vendendo hambúrguer melhor que o deles.
— Então por que eles é que fazem tanto sucesso e atuam no mundo todo?
— Boa pergunta. Não faço ideia.
Claro que Joana também não sabia o que aquilo tinha a ver com ela, mas não tardaria a descobrir. Agora, que é uma tremenda de uma questão, isso não dá para negar. Inúmeros estabelecimentos fazem sanduíches superiores aos do McDonald’s em todos os aspectos possíveis. Ainda assim, não crescem e se projetam como o McDonald’s. O que mostra que a qualidade do produto não é suficiente para determinar o sucesso do mesmo.
— Para entender o sucesso do McDonald’s, você precisa parar de pensar apenas no hambúrguer e começar a olhar justamente para todo o resto. - disse Jubi.
— O resto? Tipo o quê?
— Tipo tudo, Joana!
— Jubi, me dá um exemplo porque não estou acompanhando.
— Vamos lá. O que faz você entrar em um McDonald’s quando está passando pela rua de carro ou à pé?
— Hum, deixa eu ver. Acho que é porque eu me dou conta de que tem um McDonald’s por perto.
— Como você se dá conta?
— Eu vejo o letreiro.
— Exato, Joana. E como você sabe que aquele é o letreiro do McDonald’s?
— Ora, todo mundo sabe como é o letreiro do McDonald’s.
— Por que? Por que todo mundo sabe disso?
— Sei lá, a gente aprende essas coisas desde criança.
— Sério, Joana? Não me diga. E como isso é possível? As crianças aprendem sobre o McDonald’s na escola?
— Não, também não é assim, né. Talvez seja por causa do Ronald McDonald’s, que as crianças adoram.
— Hum, interessante. Fale-me mais sobre isso, Joana.
— Sei lá, o que me lembro é disso, do Ronald McDonald’s e dos brinquedos nas lojas do McDonald’s. Quando eu era criança e viaja para o Rio com meus pais, isso era o que mais me chamava atenção no McDonald’s. Fora os comerciais, que ora tinham o Ronald, ora tinham os sanduíches, mas sempre davam água na boca. Talvez seja isso, os comerciais. Todo mundo conhece o McDonald’s por causa das propagandas na TV, não é? Então esse é que é o segredo do McDonald’s, certo? Fazer propaganda na TV.
— Não exatamente, Joana. Mas, você está indo bem. Está quase lá. Felizmente já percebeu que o que te atrai a uma loja do McDonald’s não é apenas o sanduíche. Você já identificou que as propagandas na TV têm um papel importante. O próprio Ronald, ou seja, o fato de eles terem criado um personagem, um mascote simpático, também ajudou.
— E tem outra coisa, Jubi, que agora estou lembrando. Quando éramos criança, tinha aquelas promoções que vinham com brinquedinhos. Nossa, meu irmão ficava louco. Ele só queria ir lá por causa dos brinquedos. Nem ligava muito para o sanduíche. Para dizer a verdade, eu mesma também gostava dos brinquedinhos. E ainda tinha aquele papel que cobria a bandeja que costumava ser bem legal.
— Excelente, Joana. Lembrou bem. Agora me responda, quando vocês iam para o McDonald’s, como era feito o pedido?
— Normalmente a gente pedia pelo número. Era mais simples e ao mesmo tempo mais completo. Porque aí sempre tinha pelo menos o sanduíche, batata frita e refrigerante.
— Pois é Joana. Que bom que você lembrou disso. Essa coisa de pedir pelo número, por que você acha que eles fazem isso?
— Não sei, nunca parei para pensar nisso. - respondeu Joana.
— Tudo bem, mas faça um esforço. Qual o sentido de pedir pelo número?
— Porque simplifica?
— Sim, simplifica. Mas você acha que tem algo mais nessa história?
— Deixa eu pensar aqui. Hum, do meu ponto de vista, como cliente, acho que é legal o fato de vir várias coisas. Por exemplo, eu gostava do Big Mac, do sanduíche em si. Mas, acho que fazia muito sentido vir com a batata frita. Comer as duas coisas juntas é mais gostoso.
— Ótimo, Joana. Então você está me dizendo que essa combinação que eles fazem, esse combo, faz sentido, porque é mais gostoso. O que significa que eles criaram isso apenas porque queriam que você sentisse mais satisfação no seu lanche. É isso?
— Do jeito que você está falando, provavelmente não é.
— E não é mesmo, Joana. Tem mais nisso aí.
— Ah, lembrei de uma coisa. Comprar a promoção também é mais vantajoso, do ponto de vista financeiro, do que comprar os itens isoladamente, né?
— É o que parece.
— E não é?
— Já ouviu falar de ticket médio, Joana?
— Não. O que é isso?
— É o valor médio das vendas de um estabelecimento. Agora, sabendo disso, pense um pouco mais sobre essa questão dos combos. Você acha que eles afetam o ticket médio de alguma forma?
— Hum, acho que estou começando a perceber. Talvez o uso desses combos ajude a aumentar o valor que as pessoas gastam no McDonald’s. É isso?
— Exatamente, Joana! Garota esperta! O uso do combo eleva o ticket médio. É um incentivo para as pessoas gastarem mais. Se os clientes tivessem que pedir um Big Mac, um refrigerante e mais uma batata frita, muitos deixariam de pedir a batata frita, por exemplo. O que não acontece, quando você pede pelo número, porque aí já está tudo incluído.
— E ainda simplifica o pedido, né?
— Exato. É uma jogada simples, que tem várias consequências positivas. E você ainda é levado a pensar que fez um bom negócio.
Joana estava de queixo caído. Nunca tinha parado para pensar nessas coisas. Agora, tudo lhe pareceu tão nítido. Como ela pôde passar tanto tempo indo ao McDonald’s sem notar essas questões? Incrível a quantidade de coisas que estão diante dos nossos olhos e a gente não é capaz de enxergar. Ficou chocada. Ao mesmo tempo, estava gostando daquele papo. Estava descobrindo um mundo novo e já começava a se perguntar o que essa aula sobre o McDonald’s tinha a ver com seu possível negócio de fotografia. Queria mais.
— Jubi, estou gostando dessa conversa. Vamos lá, me conta, que mais que não percebi ainda sobre o McDonald’s?
— Agora vem a parte que você realmente vai gostar.
Capítulo anterior Próximo capítulo 
Esse é mais um capítulo de uma série de posts que compõem uma história maior, intitulada O mundo de Joana. Veja o primeiro capítulo.
O mundo de Joana é uma história criada para divertir e fazer pensar. Haverá um capítulo por dia, sempre publicado aqui no blog do Be on the Net. O formato usado aqui foi inspirado no excelente livro de empreendedorismo O Segredo de Luisa, de Fernando Dolabela. Sobre empreendedorismo é recomendável também a leitura do livro Caindo na Real da 37signals.
Para ficar sabendo dos novos capítulos rapidamente, siga-nos no Twitter e assine o RSS.
By Vinícius Teles. Disponibilizado como Creative Commons Atribuição 2.5.
Está precisando de um site lindão? Tenha um site em 24h com o Be on the Net.

