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02/10/2009, 18:47

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Certificado de participação de Joana na palestra da Patricia Figueira no Treina Tom

Betinho nunca achou que Carla fosse deixar de ser funcionária de uma grande empresa. É como se tivesse nascido para aquilo. Gostava do ambiente corporativo e achava natural todas aquelas reuniões, formalismos, trabalhos inúteis e a agitação frenética de todos tentando fazer parecer que estão avançando em seus projetos, quando na maior parte do tempo estão progredindo pouco, à custa de muita energia.

Betinho tinha verdadeiro pavor de empresas grandes, algo que beirava a completa ojeriza. Aliás, esse era um tópico polêmico no relacionamento dele com Carla, que ficou claro desde o início. Por essa razão, ele aprendeu a calar-se. Escutava os relatos de Carla, sobre as coisas sem sentido que aconteciam no trabalho e divertia-se com a mania que ela tinha de achar-se culpada de tudo. Se um projeto atrasava, ela achava que era sua culpa, muito embora houvesse outras cem pessoas envolvidas. Se o cliente reclamava de algo, lá ia Carla de novo se culpando. Betinho até parou de ler as tirinhas do Dilbert. Já não precisava mais. Recebia as histórias em casa, em primeira mão, através de Carla.

Seria triste se não fosse trágico. De um modo geral, Betinho sabia muito bem que os problemas que Carla relatavam como causados por ela nada mais eram que reflexos de uma estrutura corporativa para lá de disfuncional, que já era projetada de modo a colocar as pessoas umas contra as outras e em nada ajudava no andamento dos projetos. O que não era para menos. Até onde se saiba, nunca se ouviu falar de uma grande empresa que não fosse disfuncional. É como se fossem especialistas em sugar a energia das pessoas com atividades inúteis. Mas, uma coisa era saber disso, outra era tentar mostrar isso à Carla, que de tão responsável, chegava a ser ingênua.

Foi por tudo isso que Betinho não conseguiu controlar-se quando soube da demissão. Tinha certeza de que, se isso fosse bem trabalhado, seria um presentão para Carla. Embora ela ainda não fosse capaz de compreender isso. Então, logo tratou de comemorar a partida do mundo corporativo, por mais que aquilo fosse doloroso para ela.

Os primeiros dias após a demissão foram difíceis. A empresa pagou todos os compromissos devidos, o que até gerou uma boa quantia em dinheiro. Seria uma ajuda e tanto para o casamento, não fosse o fato de que, passada a tão sonhada data, seria necessário tirar o sustento de algum lugar. Betinho já tinha a vida financeira bem encaminhada, mas Carla não queria viver às custas dele. Queria ter seu próprio trabalho, seu próprio dinheiro.

Betinho, que já trabalhava em casa há tempos, passou a ter a companhia de Carla durante o dia. Antes, não chegava a sentir-se sozinho, porque passava o dia todo interagindo com outras pessoas por email, telefone e Skype. Mas, apreciou bastante a presença de mais alguém em casa, sobretudo sendo ela a sua amada Carla.

Neste início, Carla ficou completamente perdida. Chorou muito nos primeiros dias e achava que a vida tinha acabado. Parou de atender os telefonemas da família, que só não ficou totalmente sem notícias porque a mãe ligava desesperada para o celular de Betinho. Como a família não sabia que eles moravam juntos, Betinho dizia que tinha feito uma visita à Carla naquele dia, que ela estava triste, mas que ele acreditava que iria melhorar.

Pouco mais de uma semana após a demissão, Carla já começava a interagir melhor. Estava preocupada com o futuro e tratou de revisar o currículo. No segundo sábado após o fatídico fim de seu emprego, durante o almoço, ela finalmente fez a pergunta:

— E agora, Betinho? O que vou fazer? Por favor, diz para mim que minha vida não está acabada. - disse Carla já com os olhos marejados.

Betinho já tinha algumas ideias. Mas, nenhuma delas envolvia pedir emprego novamente. Ele achava um absurdo que alguém, com o conhecimento da área de petróleo que Carla tinha, tivesse que pedir emprego. Era um desperdício grande demais para ele tolerar.

Discutiram durante um tempo sobre várias possibilidades de empreendimentos. Quer dizer, isso foi o que Betinho tentou. Porque ela só queria saber como conseguir um novo emprego. Até que Betinho trouxe uma alternativa que chamou a atenção dela.

A ideia era procurar um emprego (porque Carla assim desejava), mas em paralelo, tentar ganhar dinheiro com algum empreendimento simples, que pudesse ser conduzido de casa e, ao mesmo tempo, que levasse em conta toda a formação e a habilidade de Carla na área de petróleo. Então, pensaram em criar um curso. Nada muito elaborado, nem muito extenso. Mas, com conteúdo suficiente para atrair inúmeras pessoas que estavam começando na área de petróleo. A experiência de Carla seria um grande diferencial para essa geração. Embora ela fosse jovem, já tinha trabalhado em muitos projetos complexos. E aprendeu muito com eles.

Ao ponto de Betinho dar o braço a torcer e admitir que esse era um aspecto positivo de algumas empresas grandes. Mas, ele fazia questão de colocar sua própria ressalva. Acreditava que aprendia-se muito, sobretudo a respeito do que não se deve fazer. Carla protestava, dizendo que também tinha aprendido muita coisa útil. Mas, sabiam que aquela discussão nunca dava em nada, então, deixaram para lá.

Mas, a ideia do curso foi adiante. O problema seria dar um curso no pequeno apartamento deles. Como fazer isso? Ou seria melhor alugar uma sala e tudo mais? Felizmente, Betinho sabia a resposta.

Já tinha usado o Treina Tom inúmeras vezes, tanto para dar palestras, quanto como participante de cursos. Carla também já tinha ouvido falar do Treina Tom através dele, mas não pensou na possibilidade de fazer um curso inteiro pela internet. Tudo bem que ela própria nunca tinha usado o Treina Tom, portanto, não enxergava as possibilidades. Mas, isso logo foi resolvido.

Betinho sabia das palestras gratuitas realizadas no Treina Tom, chamadas Café com Tom, sempre aos sábados. Como era sábado e ainda dava tempo, aproveitaram para assistir a palestra do dia. Carla ficou encantada com o que viu. Mesmo no seu mundo corporativo, nunca tinha visto algo tão simples de usar, mas ao mesmo tempo tão poderoso em se tratando de ensino a distância. Ficou mais do que impressionada, ficou fascinada com a tecnologia. Logo pensou nas imensas implicações que ela teria no mundo corporativo. Mas, Betinho tratou de lhe chamar a atenção para outro ponto de vista.

As implicações eram ainda maiores para empreendedores. Pois o Treina Tom permitia que pessoas do mundo inteiro acompanhassem cursos, palestras, aulas ou até mesmo painéis conduzidos por empreendedores que poderiam estar em suas próprias casas. Quando Carla percebeu isso, deu-se conta, pela primeira vez, que Betinho podia estar certo. O que ele tanto falava sobre o mundo da abundância começava a fazer sentido.

Tudo se passou muito rápido a partir daí. Carla já tinha dado cinco cursos pelo Treina Tom quando relatou sua história em uma comunidade do Orkut. A essa altura já estava casada, naturalmente. Ela dizia-se encantada com todas as possibilidades desse novo mundo e não se perdoava por ter passado tanto tempo em uma grande empresa, preparando relatórios que muitas das vezes nem eram lidos.

Agora, além de já ter alcançado um faturamento semelhante ao que tinha na época de funcionária, e que tinha perspectivas de superar o salário antigo rapidamente, passou a ter outra qualidade de vida. Estava em casa, trabalhando, interagindo com pessoas e feliz. E, claro, já tinha desistido completamente da ideia de voltar a ter um emprego, sobretudo em uma grande empresa.

Joana ficou encantada com a história de Carla. Quando fechou o Orkut, pensou na imensa ironia que era ter lido sobre isso justamente agora, que também conhecia o Treina Tom e já vivia como uma empreendedora bem sucedida. Tinha assistido a palestra da sua musa, Patricia Figueira, através do Treina Tom e gostou da experiência.

Tanto que já tinha feito sua inscrição no workshop da semana seguinte. Não chegou a ser sorteada na promoção que rolou no Twitter, mas não se incomodava. Estava feliz por poder passar uma tarde aprendendo com a Pati sem nem sair de casa e ainda por cima pagando tão pouco. Se o workshop não fosse pela internet, teria que viajar para outra cidade e só isso já levaria a gastos muito superiores ao investimento no workshop.

O engraçado é que Joana tinha consciência do quanto era beneficiada por fazer parte de uma geração que cresceu no mundo da abundância. Achava que já tinha sido beneficiada em tantos aspectos que não seria possível haver ainda mais. Entretanto, a cada dia ficava mais surpresa. Agora era isso, poder assistir cursos de pessoas que tinha em alta conta, pelo Treina Tom, sem nem sair de casa. O que mais faltava ser criado?

Tolinha, mal sabe ela.

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Esse é mais um capítulo de uma série de posts que compõem uma história maior, intitulada O mundo de Joana. Veja o primeiro capítulo.

O mundo de Joana é uma história criada para divertir e fazer pensar. Haverá um capítulo por dia, sempre publicado aqui no blog do Be on the Net. O formato usado aqui foi inspirado no excelente livro de empreendedorismo O Segredo de Luisa, de Fernando Dolabela. Sobre empreendedorismo é recomendável também a leitura do livro Caindo na Real da 37signals.

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By Vinícius Teles. Disponibilizado como Creative Commons Atribuição 2.5.

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